Por favor, parem o tempo!

Fraldinhas limpinhas de bumbum de neném, o que está acontecendo com o tempo? Tá passando rápido demais, uai! E de todo esse tempo tenho muito para contar, inclusive o motivo de eu não ter contado ao longo desse tempo.

Na verdade, desde a gravidez eu queria ter feito um relato melhor dos dias. Mas aí eu tive de procurar apartamento, fazer faculdade (que tranquei no sétimo mês), começar obra, pensar em todo o enxoval, na viagem de férias,... Pra piorar, meu volume de trabalho aumentou e shazam, o tempo passou. Até fazer foto da barriga foi difícil de tão exausta que eu ficava no fim dos dias. Mas fazer o quê, passou, passou. E queria ter registrado mais, mas não me sinto nostálgica porque sei que fiz o melhor que pude e, principalmente, estou fazendo o melhor que posso agora, que é quando ele mais precisa de mim por já não estar, digamos, misturado comigo (e isso sim é meio chato assumir porque sei que daqui a pouco ele será independente e meu lado, pra não dizer meu inteiro, maternal não gosta muito de pensar nisso hehehe). A grande verdade é que, apesar de planejada a minha gravidez, eu engravidei de cara, então não pude fazer nada com muita calma. Minha gravidez passou sem eu ver, não fiquei ansiosa e tudo que eu queria é que ele ficasse na minha barriga o máximo de tempo possível para eu conseguir ter o mínimo de organização, pelo menos no meu novo lar, antes de recebê-lo. Então, a gravidez que eu queria tê-la toda registrada, não foi possível, apesar de minha memória nesse sentido estar muito boa ainda, obrigada, e eu conseguir lembrar de todos os pontos altos da relação eu-barriga. E foi uma relação intensa, ainda que não registrada em palavras, como me é peculiar, mas na memória. E foi boa enquanto durou. Porque a ficha não caiu antes, só caiu no momento em que vi meu bebezinho. Sei que nem sempre acontece assim, mas, acho que por eu ter engravidado muito rápido, quase sem espera (só um mês), COMIGO foi assim. Aí sim eu conheci o maior amor do mundo, aí sim eu virei adulta (porque sempre me senti ainda um pouco na infância, até por gostar muito de uma bobeira), e aí sim me vi responsável e responsável também por registrar tudo, porque não quero esquecer nada nunca. É tão gostoso! Porque apesar de cada gravidez ser uma gravidez, os marcos são mais ou menos os mesmos e os sintomas, ainda diferenciados em cada grávida, estão em listas para quem quiser ver, mas um bebê é muito mais individual que isso. E eu estou curtindo tudo e tanto de um jeito que babo, de deixar de dormir para olhar para ele dormindo. Ele é uma obra de arte. Uma obra de arte feita por mim e que até agora, cresce também só por mim já que ele está uma bolinha feita de mamar.

Aí que hoje, 10 de julho, ele está com um mês e meio, né? E está tudo só registrado na minha cabeça. Estou deixando a desejar nos registros, porque semana que vem eu faço 30, e não tenho mais a memória de uma garotinha. hahaha. Foi uma piadinha para dizer que eu juro que vou contar tudo, juto que ainda lembro de tudo e vou fazer o mais rápido possível, tão logo fofuchinho dê uma pausa maior dormindo bastante. Sei lá se hoje mesmo ou amanhã ou um pouquinho depois (mas prometo que antes dos dois meses).

Mas eu também tenho explicação para o não registro até agora. Minha mãe passou o primeiro mês na minha casa e foi o meu braço direito. Mariducho passou 18 dias desses de férias. Minha avó veio de Minas nos visitar. Agora me respondam: é justo deixar sozinha toda essa turma que me ajudava para vir blogar? Não, né? Então fiz o possível para absorver o máximo de informações baby-fofuchosas na minha memória para escrever depois. Porque quando bebê dormia, eu ia conversar ou ajudar minha mãe ou até aprender a como me virar com o baby quando eu estivesse sozinha, ou seja, fazendo eu mesma mesmo minha mãe estando comigo. Ou eu ia ver uma série ou chamegar Sr. Fofucho que, né, coitado, viu uma mudança brusca acontecer na sua vida. Ele tinha uma esposaultramegablastergrudadaecompanheira que do dia para a noite virou mãe. E foi do dia para a noite meeeesmo, porque até os 9 meses de gravidez eu me comportava como a mesma namorada de sempre. Só que quando aquele trocinho apaixonante chegou, precisando de mim e me fazendo precisar ainda mais dele tudo mudou. Mas eu ainda precisava guardar uns espacinhos, nem que estes fossem pouquinhos hehehe, pr'aquele que tinha me ajudado a trazer meu redondinho fofo ao mundo. Inclusive Fofucho pai se especializou em fazer piadinhas infames. Eu suspiro: - Ai, eu estou completamente apaixonada. Ele: Eu também, Fofucha, amo você. Eu: - Ai, mas é tão lindo... Ele: Obrigada, Fofucha, mas você é mais linda. Tem jeito de meu filho não ser bobo, com a bobeira ligada no 220 o tempo todo que os pais dele têm?

Ah e como não citar a própria demanda vinda do Matheus? O primeiro mês foi uma mistura explosiva de gases + cólicas + refluxo. O coitadinho do meu neném apresenta todos os desconfortos gastrointestinais que um bebê pode ter. Esse perrengue ainda continua e a mamãe aqui sofre. Principalmente porque todas essas coisas de recém nascido eram algo tãããão distante pra mim. Porque assim... meu bebezico é minha cobaia, né? Eu nunca convivi com bebês e fui uma grávida completamente deixa a vida me levar, sem ler ou saber nada sobre recém-nascidos. Fiz um cursinho de gestantes no meu trabalho de um dia e olhe lá. Eu achava que meu amor e minha vontade de ser mãe, de ele estar comigo, eram mais que suficientes. E te digo, cara leitora, não é suficiente, mas é disparado o mais importante. Voltando, tudo que ele faz é novo. Mas caso você tenha pensado que falei que é perrengue pra mim, nããão. Tava dizendo perrengue para ele. Porque pouco me importa ficar noites sem dormir. Pouco me importa não ter tempo pra comer, pra tomar banho, pra facebook ou pra blogar. Isso se ele estiver brincando, acordado, com os olhos arregalados só olhando para mim. Mas ouvir choro, vê-lo fazendo o que apelidamos de "cara de velhinho" se contorcendo todo e batendo as perninas de dor não é nada legal. Eu tenho fé que esses dias na hora em que ele dormir eu ainda vou falar disso no blog, assim como de suas características. Mas fora essas dores do meu filho, que eu queria, como toda mãe, que desse para eu sentir em vez dele, a maternidade é uma delícia. E depois que eu fui mãe eu até acho que vou começar a jogar na mega sena, só pra ver se eu fico milionária e consigo ser mãe de 11, um time de futebol. Tá, eu não comecei tão novinha assim, então não deve dar tempo. Posso me contentar com 5, um time de futebol de salão.

Termino dizendo que tenho amado receber os comentários lindos e carinhosos de vocês (Brigada!), mas não me apedrejem porque não estou indo ao blog de ninguém. Esses dias precisarão ser de puro egoísmo, se não não vou conseguir dar conta de escrever e correr atrás desse tempo que não escrevi, até porque Matheus dorme pouco (assunto para outro post). Caso você queira falar comigo com certeza de resposta, email-me. Porque eu estou morrendo de saudades, mas o tempo é curto. A menos que alguém atenda ao meu desejo no título, eu precisarei priorizar. :)

Ah, e ele já está muito MAIS GRANDE do que isso, mas eu preciso baixar as fotos mais recentes pro computador. E essa foto é tão linda que vocês me perdoam e esperam as outras, né? 

Aos 13 dias


Dona Musa pede sugestões dos números da Mega Sena.


Relato do parto

Surpreendentemente, consegui dormir bem e a noite inteira do dia 24 para o dia mais esperado da minha vida, 25 de maio de 2012. Acordei, fui ao salão fazer escova, pois queria receber bem bonita o meu filho: "a primeira impressão é a que fica" (rs). As unhas eu já tinha feito no dia anterior. No salão já começou a festa, todos estavam me parabenizando e compartilhando minha felicidade. Voltei para casa e chequei as malas pela última vez, inclusive minha bolsinha de maquiagem, hohoho. Saímos de casa (eu, minha mãe e Rafael) por volta de meio dia e o Rafael filmou os últimos momentos da casa sem o neném. Na filmagem, ele dizia: "Olha, Matheus, como era a casa antes de você chegar." Cheguei à maternidade e enquanto aguardava a liberação do meu quarto, fui ao banheiro. Encontrei uma senhora que perguntou para quando era meu neném. Respondi cheia de felicidade: "Hoje!" Esses detalhes podem parecer supérfluos, mas não deixarei de contá-los porque todos fazem parte do grande dia de felicidade em que eu me tornaria mãe. Tenho um grupo de amigas que estava acompanhando tudo por mensagens no celular. Na maternidade, a internet não estava funcionando. Saí um pouquinho para conseguir falar com elas. Falei e voltei para a recepção. Aliás, nesse dia, recebi muitíssimas mensagens e ligações e esses gestos de tantos amigos encheram ainda mais meu dia de alegria. Recebi minha pulseirinha de paciente da maternidade. Esperei mais um pouquinho e subi para o quarto 506. Nunca mais vou esquecer aquelas horas em que eu esperei. Só ficava imaginando que em muito pouco tempo eu me tornaria mãe. Não liguei a televisão nem nada, só fiquei ali em sintonia com a minha família. Meu irmão chegou no quarto cedo, só trabalhou meio expediente e mais tarde chegou meu pai. Em seguida chegou minha amiga Fernanda para registrar os momentos seguintes com sua super câmera. A essa altura já eram umas 18h e o parto seria às 19 ou 20h. A noite foi caindo e pela primeira vez fui sentindo um nervosinho...

Lembro de um abraço que a Nanda me deu fazendo ooowwwnnn quando eu disse que estava nervosa e apreensiva. Minha obstetra chegou perguntando se eu queria ser a primeira já que ela teria o meu parto e outro. Eu não sabia se respondia que sim ou que não. Estava ansiosa para tê-lo mas com aquele friozinho na barriga. Não deu muito tempo de pensar. Fui ao berçário junto com a Nanda para ela conhecer e vi vários bebezinhos. Fiquei bem emocionada. Aliás, o berçário é um dos lugares mais emocionantes onde já estive, se não o mais. O meu neném estaria ali dentro de muito pouco tempo. O frio na barriga foi aumentando. No elevador, encontrei o maqueiro que perguntou se meu parto seria naquele dia. Respondi que sim e ele disparou: 506? Daqui a pouco "tô lá". A ficha caiu. Voltei para o quarto, fiz umas fotos imitando o making off, tirei fotos com minha família. Fiz uma oração a Deus e li a oração a Nossa Senhora do Parto que minha amiga Tati tinha enviado para mim junto com a santinha que já passou por várias amigas e que hoje está aqui em casa esperando o parto dela, que também está grávida, esperando o Gabriel. Feitas as orações, coloquei o avental e esperei o maqueiro que rapidamente chegou. Abracei toda a minha família pensando que me despedia do papel principal de filha e voltaria com o de mãe. O de filha já seria coadjuvante. No caminho do corredor, com Rafael acompanhando e Nanda fotografando, encontrei outra amiga, a Helena, saindo do elevador. Ela apertou forte minha mão e chorou desejando as bênçãos de Deus sobre nós. 

Chegamos à porta do centro cirúrgico e tivemos uma decepção. A enfermeira chefe não deixou a Nanda entrar para as fotos alegando que só uma equipe credenciada pelo hospital poderia fazer isso. Eu fiquei meio sem reação e já me levaram para o parto. Nesse momento tendi a ficar meio tristinha, pelas fotos que eu não teria e pela própria Nanda que tanto desejava fotografar o parto. Aqui cabe um parênteses: a Nanda é uma apaixonada por partos. No momento em que me encaminhavam para a sala de parto, pensei: Não posso me permitir ficar triste, vou receber nos braços o meu filho! E realmente eu acho que uma situação dessas em qualquer outro dia me deixaria profundamente chateada, mas nada me abalaria naquele 25 de maio de 2012. Aqui cabe outro parênteses. Eu pensei que eu pudesse dizer que esse dia foi o mais feliz da minha vida, mas não. Desde que o Matheus chegou, eu simplesmente não consigo eleger um dia, porque ele me surpreende a cada dia. Olhar para ele e acompanhar seu desenvolvimento no papel de pessoa principal da sua vida é viver em estado de graça, é tornar todos os dias os mais felizes.

Cheguei à sala de parto e ouvi a Dra. atender a uma ligação da Nanda pedindo pela intercessão dela junto à enfermeira para que a deixasse entrar. Minha obstetra me falou algo do tipo: "Own, meu Deus, sua amiga está em prantos. Vou lá ver se convenço a enfermeira." Ela saiu e nesse momento eu pensei que o Rafael estava demorando muito, mas depois do meu pensamento ele chegou sorrindo. Os médicos deram orientação a ele de como proceder. A Dra. voltou sem conseguir deixar a Nanda entrar. 

O anestesista me aplicou a peridural e eu já não sentia minhas pernas. Aliás, eu me sentia um saco de batatas. A cirurgia começou e os médicos (obstetra, anestesista e pediatra) conversavam sobre uma amiga em comum que tinha se separado. Eu não senti nada, nenhuma dor nem desconforto durante. Só me senti um pouco sufocada porque meu nariz estava completamente obstruído (gripei na semana e fiquei com a voz toda nasal) e o tecido que tapava minha barriga sendo aberta (rs) estava muito perto do meu rosto. Rafael filmava tudo e de vez em quando filmava meu rosto e sorria para mim. Era muito bom senti-lo ali comigo, sempre companheiro, com olhar amoroso e acariciando meus cabelos com uma mão enquanto segurava a filmadora com a outra. 

Como Matheus estava sentado, o bumbum saiu antes da cabeça, mas os médicos disseram: "Está nascendo!" Só nessa hora eu senti os ossos do Matheus passando em mim com força, o anestesista ajudava posicionado por cima da minha cabeça para que ele pudesse sair completamente. Olhei para o Rafael e perguntei: "Nasceu???" Ele também respondeu que estava nascendo. Só que imediatamente depois escutei o choro alto e desesperado que foi música para meus ouvidos. Aí começou toda a mágica de ser mãe. Mas eu ainda não estava satisfeita: queria meu filho no meu colo, ali comigo. Só que o papai babão quis cortar o cordão umbilical, o que meio que atrasou o processo de chegada do meu filhote ao meu colo. Eu ouvia a pediatra falando que ele precisava de um banho, porque ele nasceu e fez cocô logo depois, hihihi. Aqueles minutinhos em que ele não chegava demoraram uma eternidade. Mas eis que enfim chegou o momento mais emocionante de tudo que já vivi. Sim, porque eu não sei se isso acontece com todas as mães, eu imagino que sim, mas parece que tudo que você viveu até então só te preparou para ser mãe. É como se nada mais fizesse sentido além da maternidade que você acabou de adquirir. E o Matheus veio até mim. Chegou chorando e apavorado, batendo os bracinhos e pernas de um jeito totalmente descoordenado, como que pedindo proteção. E num passe de mágica, ao chegar no meu colo, ele se acalmou, parou de chorar, desfranziu o rostinho e fechou os olhinhos de um modo que eu não conseguia parar de olhar para ele (E olhem que ele nem cruzou o olhar comigo, isso aconteceu pela primeira vez na primeira mamada). Se eu chorei? O que aconteceu nesse momento? O que eu falei? Eu não sei. Ou melhor, não sabia. Ainda bem que o Rafael estava lá para me dizer que sim, que eu chorei de emoção, que fiquei repetindo com voz chorosa: "A mamãe te ama muito, meu filho, você não imagina como a mamãe te ama. Como você é lindo!" Fui acordada daquele transe que parecia um sonho mas era a minha nova realidade pela pediatra que pedia a câmera para tirar a foto de nós 3. O Rafael parou de filmar e a foto se fez. E esse clique deixou registrado o momento em que eu tive o meu maior sonho realizado: o sonho de ser mãe, de aumentar minha família ao lado do marido que tanto amo e do filho que me escolheu para concebê-lo em meu ventre. Obrigada por me deixar ser sua mãe, Matheus! Obrigada por toda a felicidade que você traz diariamente para a minha vida. Porque ser mãe é estar mais próxima de Deus, é ter seu coração pleno, é sentir todo seu amor personificado. Ser mãe, muito mais do que padecer, é viver num paraíso sem fim. 



"Aonde cresci
Do que já vivi
Não me lembro de nada na vida
Que mais se pareça com amor
Como lembro de ti..."

Dona Musa agora é mãe! Mamãe Musa. :)

Minha cria...

... é a coisa mais linda do mundo! Apaixonante, indescritível, fofuchinho, um príncipe! Estou completamente em estado de graça, mas o tempo está curto, então volto com mais detalhes depois. Já agradeci tanto a Deus por ele, vocês não imaginam... é uma emoção sem igual. Nada do que me contavam chega perto. Olhem que pintura que eu fiz!


Dona Musa agora sabe o que é a felicidade.

Em 25/05/12...

... nascerá uma mãe. :)


Dona Musa pede as orações pela boa, bem sucedida e abençoada estreia de seu Fofuchinho.

O mundo não é maternal


Mais um post daquela que acha que não conseguirá mais falar de outra coisa, pelo menos até seu neném chegar e ela conseguir tocar, abraçar, cheirar, sentir, amar. E nisso a ansiedade um pouco passar...
"É bom ter mãe quando se é criança, e também é bom quando se é adulto.
Quando se é adolescente a gente pensa que viveria melhor sem ela, mas é um erro de cálculo.
Mãe é bom em qualquer idade. Sem ela, ficamos órfãos de tudo, já que o mundo lá fora não é nem um pouco maternal conosco.
O mundo não se importa se estamos desagasalhados e passando fome.
Não liga se virarmos a noite na rua, não dá a mínima se estamos acompanhados por maus elementos.
O mundo quer defender o seu, não o nosso.
O mundo quer que a gente fique horas no telefone, torrando dinheiro.
Quer que a gente case logo e compre um apartamento que vai nos deixar endividados por vinte anos.
O mundo quer que a gente ande na moda, que a gente troque de carro, que a gente tenha boa aparência e estoure o cartão de crédito.
Mãe também quer que a gente tenha boa aparência, mas está mais preocupada com o nosso banho, com os nossos dentes e nossos ouvidos, com a nossa limpeza interna: não quer que a gente se drogue, que a gente fume, que a gente beba.
O mundo nos olha superficialmente. Não consegue enxergar através. Não detecta nossa tristeza, nosso queixo que treme, nosso abatimento.
O mundo quer que sejamos lindos, sarados e vitoriosos para enfeitar ele próprio, como se fôssemos objetos de decoração do planeta.
O mundo não tira nossa febre, não penteia nosso cabelo, não oferece um pedaço de bolo feito em casa.
O mundo quer nosso voto, mas não quer atender nossas necessidades.
O mundo, quando não concorda com a gente, nos pune, nos rotula, nos exclui.
O mundo não tem doçura, não tem paciência, não pára para nos ouvir.
O mundo pergunta quantos eletrodomésticos temos em casa e qual é o nosso grau de instrução, mas não sabe nada dos nossos medos de infância, das nossas notas no colégio, de como foi duro arranjar o primeiro emprego. Para o mundo, quem menos corre, voa. Quem não se comunica se estrumbica. Quem com ferro fere, com ferro será ferido. O mundo não quer saber de indivíduos, e sim de slogans e estatísticas.
Mãe é de outro mundo. É emocionalmente incorreta: exclusivista, parcial, metida, brigona, insistente, dramática, chega a ser até corruptível se oferecermos em troca alguma atenção.
Sofre no lugar da gente, se preocupa com detalhes e tenta adivinhar todas as nossas vontades, enquanto que o mundo propriamente dito exige eficiência máxima, seleciona os mais bem-dotados e cobra caro pelo seu tempo.
Mãe é de graça."  (Martha Medeiros)
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