Em mim, de novo, batem dois corações

Quem me conhece sabe como sempre quis ter uma família. Depois que formei minha família pelo sacramento do matrimônio, queria muito um filho. Mas eu nem imaginava o quanto ia me transformar depois desse evento em minha vida. Depois que Matheus nasceu, tornei-me uma apaixonada, entusiasta e amante da maternidade, quem convive comigo percebe, sente. Então, só tive mais certeza de que minha família ainda iria crescer e de preferência, rápido. hehehe. Primeiro pela vontade de dar a maior herança que antecipadamente posso dar ao meu filho, um/a irmã/o, e segundo porque para mim a maternidade, melhor coisa da vida, é boa demais para ser vivenciada com um só. Por essas e por outras razões talvez não tão principais e que surgirão ao longo dos meus textos, é com a maior alegria do mundo que venho comunicar que estou grávida novamente!!! Sou uma mãe ao quadrado ou uma bimãe!!! =D

A data prevista do meu parto é dia 06/06, ou seja, neném #1 e neném #2 terão datas de aniversário bem próximas ou quem sabe a mesma, já que a do Matheus era 04/06 e ele nasceu em 25/05. Isso não foi planejado nem combinado, mas quando soube eu achei que ficou tão bonitinho. O planejamento era iniciar as tentativas quando Matheus tivesse 1 ano e 3 meses, para ter uma diferença mínima de 2 anos entre os 2 e como a primeira tentativa foi certeira, teremos os exatos 2 anos de diferença. =D

Descobri a gravidez em Maceió, na véspera da minha volta de férias ao Rio de Janeiro. Pouco antes de viajar percebi que, se não estivesse grávida, ficaria menstruada durante a viagem. Como não queria bagunçar meu ciclo voltando com a pílula, acabei me conformando em usar absorvente interno nos momentos em que fosse ficar na praia/piscina. Viajei para o Nordeste no dia 19 e, no dia 18, com um ciclo que já durava 35 dias, fiz um teste de farmácia e deu negativo. Já não achava mais que pudesse ter acontecido uma gravidez. No dia 26, meus seios começaram a doer um pouco e normalmente  não sinto essas dores antes de menstruar. Como nesse dia a menstruação ainda não tinha vindo e o ciclo já durava 43 dias, comentei com o Rafael que achou que eu estava grávida. Falei que chegando ao Rio faria o teste, quando ele prontamente respondeu: Claro que não, já que temos essa desconfiança, vamos descobrir em Maceió!!!  hehehe. Então fomos à farmácia e compramos o teste. Passeamos, voltamos para o hotel e acho que ele já tinha até esquecido (ele é bastante desligado e nada ansioso). Falei que tomaria banho, abri o chuveiro para ele não desconfiar, fiz o teste, vi as 2 listrinhas fortes, voltei para o quarto com a tirinha do teste na mão gritando: É, Fofucho, a gente não brinca mesmo em serviço! No primeiro mês de tentativa, já vem aí nosso segundinhoooooooo!!!! Ficamos muito felizes, ele me abraçou, pegamos Matheus no colo, fizemos "sanduíche de neném" (beijo no neném com um em cada bochecha) e começamos a falar: Nenééééém, você foi promovido a irmão mais velho!!! ÊÊÊÊÊ, você vai ter um irmãozinho
 ou irmãzinho e batemos palmas! Como ele A-DO-RA aplausos, ficou todo feliz e sorridente batendo palminhas também, bem estaladas, de tão empolgado. Nesse mesmo dia, escrevi no facebook "É maravilhoso, Senhor, ter tão pouco a pedir de tanto agradecer." Quem viu meu status nesse dia reconhecerá. Fiz o beta-HCG no sábado seguinte (dia 28/09) que confirmou a a gestação. Esperei a primeira ultra e a certeza de que está tudo bem para postar. A ultra aconteceu no dia 16/10 e o tamanho do embrião foi o que determinou minha DPP (data prevista do parto), porque como meu ciclo foi longo, pela DUM (data da última menstruação) eu já estaria com a gestação mais adiantada. Pelo tamanho do embrião, hoje estou com exatas 8 semanas, dia em que meu pequeno príncipe faz 1 ano e 5 meses de muita alegria e gostosura.

Agradeço a Deus pela alegria, honra, felicidade e bênção de gerar mais uma vida! Peço a Ele, com a intercessão de Nossa Senhora do Bom Parto, que me acompanhe em toda a gestação e na hora, trazendo para o meu colo um bebê saudável, lindo e fofo como o irmão mais velho. No mais, quero dizer que a descoberta, a ansiedade, a felicidade me faz sentir como se fosse a primeira vez, com a diferença de que agora já conheço o amor de mãe pelo bebê depois da gestação, que é ainda maior e cresce a cada dia, de uma forma inexplicável, que parece ir além do infinito. Por isso me sinto ainda mais plena! Feliz é pouco!!! Obrigada, Senhor, pelo dom da maternidade, agora de dois!!! Vivaaaaaaaaaaa!!! =D

Mamãe Musa é a mulher mais feliz do mundo! \o/

Alérgico? Quem disse??? =D

É com muita alegria que venho compartilhar que meu bebê não é mais alérgico à proteína do leite da vaca!!! ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!!! 

Todascomemoramuitooooooooo!!! Vocês não imaginam minha felicidade com mais essa superação do meu neném. A trajetória do Matheus, na luta contra a APLV, foi a seguinte: 

- Neocate + leite materno com dieta aos 4 meses de vida (setembro/12) 
- Tentativa de Alergomed em fevereiro/12 mal sucedida. Uma mamadeira foi suficiente para deixá-lo com cólica, dores e diarreia, o que me fez suspender e voltar ao Neocate no mesmo dia. 
- Pregomim Pepti logo após o aniversário de 1 ano
- Aptamil Soja 2 em julho. Aqui já tivemos um grande avanço! Boa parte dos alérgicos à leite também são à soja e se ele tinha aceitado bem o leite de soja, significava que, caso ele um dia tivesse sido alérgico à soja, não era mais. 
- Finalmente o Aptamil sem lactose, mas com proteínas lácteas, em setembro/13, com grande sucesso, significando que ele não é mais alérgico à leite, apenas intolerante à lactose!!! ÊÊÊÊÊÊÊÊ! 

Como não podemos pular etapas, não podemos introduzir de vez a lactose, mas hoje podemos dizer que, na pior das hipóteses, ele só é intolerante à lactose, porque talvez nem isso ele seja mais, já que só conseguiríamos ter certeza com a tentativa e agora não é o momento prudente para introduzir. Precisamos esperar um tempinho sem a lactose, apenas com a proteína do leite, para dar tempo de sua parte gastrointestinal ficar mais madura. 

Como estou escrevendo na hora do almoço e meu tempo está curto, depois volto para explicar melhor a diferença entre esses leites e entre alergia à proteína do leite da vaca e intolerância à lactose (essa última bem menos restritiva). Agora só queria compartilhar mesmo com vocês minha alegria diante dessa grande vitória e superação do meu filhote. Pensem numa mãe feliz! "Esse cara sou eu!!!" Feliz demaaaaaaaaaaaaiiiiiissssss!!!! =D 

Mamãe Musa agradece a torcida de sempre. :) 

Sobre sono de bebês e ninfomaníacos

A API * recomenda a cama compartilhada. Matheus estava dormindo mal no berço, ainda que ele nunca tenha dormido completamente sozinho, porque tem cama de solteiro no quarto dele, então eu e Rafael revezávamos para dormir lá. Como me identifico muito com os preceitos da criação com apego, decidi adotar a cama compartilhada até eu perceber uma maior segurança dele para dormir sozinho. Ele ainda não teve uma evolução significativa constante. Acorda algumas vezes durante a noite, então não notei tanta diferença no sono em si. Mas na forma de acordar, percebi diferença, sim. Ainda que quase sempre quando acorda de madrugada comece um chorinho, parece que me ver imediatamente e me ouvir conversando com ele de perto traz mais segurança. Quando ele acorda, eu falo no mesmo tom de voz de durante o dia, sem angústia ou afobação: Neném, a mamãe está aqui. Fica tranquilo, pode voltar a dormir que a mamãe está com você em todos os momentos. Mesmo que eu não estivesse aqui fisicamente, se você precisar de proteção eu vou aparecer. Pode deitar e ficar quietinho que o sono vai chegar e você vai dormir bem. Eu fico sentada com ele, não tento imediatamente pegar no colo. Às vezes ele deita e dorme e às vezes me dá os bracinhos, eu pego sentada mesmo e ele volta a dormir.

Eu já me perguntei porque ele acorda tanto. Já tentei ir ao encontro da minha sombra, como sugerido no livro da Laura Gutman (A maternidade e o encontro com a própria sombra). Lá ela dá o exemplo de uma mulher que era mãe solteira, tinha sido abandonada pelo marido e, na interpretação dela, o bebê acordava muito para dizer a mãe algo do tipo "estou aqui, agora você tem a mim, não precisa se sentir desprotegida". Não estou numa fase de me sentir carente de amor, mas me sinto carente do tempo com ele, sempre. Minha volta ao trabalho foi muito conturbada, eu me sentia culpada por ter de me afastar dele durante o dia. Tanto tempo já passou, em dezembro faz 1 ano que voltei, mas será que isso ainda é um reflexo? Sinceramente não sei. Essa é uma parte da minha sombra que não consegui alcançar. Caso eu seja indiretamente responsável por ele ainda não conseguir dormir direto um tempo significativo, por alguma carência minha, como é da teoria da Gutman, tento compensar na minha presença atendendo-o à noite da mesma forma que atendo durante o dia. Caso vocês queiram deixar dicas e sugestões, serão muito bem-vindas. Ah, e ele tem rotina à noite, com luz baixa, eu nino, canto, falo mais baixinho e sempre no mesmo horário, isto é, não é falta de rotina, como a maioria prevê que seja e sugere.

Mas ainda sabendo que em alguns casos é melhor para a mãe e para o bebê, alguns morrem de preconceito com a cama compartilhada. Acho ótimo que os bebês durmam no berço assim como acho ótimo que os bebês durmam a noite inteira desde bem novinhos. Só que muitas vezes não acontece assim. E aí surge a hipótese da cama compartilhada. Pode acontecer porque os pais fiquem muito cansados com o "traslado" durante a madrugada. Pode ser que o bebê durma melhor seja por segurança ou aconchego ou outro aspecto que não saberemos nunca o que é, já que eles ainda não se expressam de maneira objetiva. Pode ser por um monte de motivos. Por que então a cama compartilhada incomoda algumas pessoas?

Andei perguntando isso a quem critica e na maioria dos casos a resposta foi que "atrapalha a intimidade do casal". Eu acredito que a chegada de um filho diminui, claro, as oportunidades de ter relações sexuais e por isso é preciso aproveitá-las, basta ter criatividade. Mas dizer que a cama compartilhada em si atrapalha a intimidade não procede. Normalmente o bebê dorme antes do casal e aí, sim, coloca-se no berço ou no colchonete ou seja lá onde for, caso contrário o bebê cai, é óbvio. A cama compartilhada é para ser feita com segurança. E aí nesse momento em que o bebê não está na cama, a própria cama, o sofá, a pia, o chão e tudo mais está livre, minha gente! Mas eu acho que não: acho que esse pessoal que critica cama compartilhada, mesmo antes de ter filhos, acordava todas as noites para praticar o kama sutra ou sexo tântrico, daqueles bem demorados, durante a madrugada, depois de ter dormido. Imagino quão difícil deve ser para um ninfomaníaco ter filhos! Como nem eu nem meu marido éramos assim, hora de dormir é hora de dormir e nem dormir de conchinha eu sou muito chegada, fico no grupo que resolve essa parte antes de dormir mesmo. Ou depois de acordar. Ou durante o dia quando o bebê dorme em outro lugar que não a cama, em segurança. E seguimos felizes com a cama compartilhada.

Claro que essa parte do texto é caricatural e irônica. Tudo para dizer que concordo mesmo é que o bebê e os pais estejam felizes e em cada casa isso acontece de um jeito. Bom mesmo é entender isso pra não correr o risco de se tornar uma MEGE.

Mamãe Musa gosta de abraços e conchinhas... acordada. Só se estiver acordada. rs

*A Attachment Parenting International é uma organização sem fins lucrativos, fundada em 1994, com o objetivo de dar suporte a todos os pais a criar vínculos seguros com seus filhos, por toda a vida. A longo prazo, o objetivo é fazer com que o mundo tenha mais compaixão. (Via: Paizinho, Vírgula!)

Fala, Matheus! (e outras preguicinhas)

A ansiedade da mãe deve impedir o neném de falar, né? Porque, poxa
vida, eu torcia pro neném falar mamã, ele já falou depois de fazer 1
ano, ficou uma semana, duas, sei lá, e... parou! Agora não fala mais
nada. Aí vocês imaginem essa que vos fala, tagarela que só, sem ouvir
uma palavrinha formada. É muita preguiça pra um só neném. Falando de
preguiça, a outra curiosidade do Tetheus é queeee... esse bebê não
segura a mamadeira. Sim, é isso mesmo! Ele não segura a mamadeira. Ele
segura e não levanta. Quando eu levanto pra ele, ele larga a partir do
momento que eu seguro pra mostrar! E ficamos assim em loop. Como faz,
Brasil, pra esse neném ter interesse em pegar a mamadeira?
Considerando que a mamadeira já é na hora de dormir e ele já está
enjoadinho dando sinais de sono, não dá pra simplesmente dar as costas
e falar: "ou você pega ou fica com fome". Não dá. Ele não quis usar o
copinho de transição, não pegou de jeito nenhum, não entendia, se
molhava, engasgava, dava um tapa e jogava longe. Então em casa comecei
a oferecer um copo comum mesmo, mas como é vidro, eu seguro (já
providenciei um da avent de plástico que está chegando pra mim mês que
vem pra ver se ele segura). Nas saídas, a água ainda é na mamadeira
mesmo porque o copo faz uma certa lambança. Além disso, durante a
refeição, não se interessa em pegar a colher. Isso na comida dele.
Quando eu estou comendo, ele quer brincar com o meu garfo como se
fosse outro brinquedo. Já o incentivei a dar na minha boca pra ver se
ele se familiariza com a atividade e tenta ele mesmo comer, ele mesmo
pegar... engraçado é que nem tudo é assim. Pão mesmo (francês, o único
que ele pode comer por enquanto por conta da aplv), ele quer comer
pegando, quer que dê um pedaço a ele e ele segura. Então qual a lógica
desse neném? Não entendo. Olhem que eu chego em casa e estimulo sem
parar. Chego muitas vezes em horários aleatórios e vejo a babá
brincando e o incentivando a realizar diversas atividades. Em relação
a brincadeiras, interação e energia ele está 100%. Já está andando
tudo com pilha duracell que dura, dura, dura... Até julho ele dava os
passinhos como uma brincadeira. Em agosto ele trocou o engatinhar pelo
andar como a principal forma de locomoção, além de levantar do chão
direto igual a um sapinho (antes precisava de um apoio: pessoa,
parede, sofá, ...). Agora também já corre. Sobre as outras interações,
ele não presta atenção em livrinhos ainda, por exemplo. Eu converso
demaaaais com ele, mostro figuras, repito palavrinhas, como bem
ensinam os manuais, artigos e entendidos pro bebê dar sinal de fala. E
segundo as estatísticas, até 18 meses, 75% das crianças já falam pelo
menos mama, papa e algumas duas outras palavras como "não", "cabô",
"água" (ou sons parecidos). Mas Matheus ainda não tem em seu
vocabulário palavrinhas formadas. Sim, porque ele fala coisas do tipo
"liu iu iu, ui ui ui, aô aô, aaa aaa aaa aaa... continua sonorizando.
Mas quando quer pedir algo, por exemplo, é resmungando normalmente
"uuuhhhnnn" e sem formar as sílabas, ao menos de forma capenga. Como
ele sempre, sempre, tipo desde os 3 meses "conversava", interagia com
sonzinhos, eu tinha absoluta certeza de que ele ia falar rápido. E
depois fuen, fuen, fuen, fuen, fuen...
Até a técnica de não ficar ansiosa eu tentei usar de 1 ano até agora.
Mas se passaram 3 meses, né, é demais pro meu autocontrole. Tento não
passar isso pra ele, guardo comigo (apesar de saber pelas minhas
leituras de Laura Gutman que ele sente minha ansiedade e não adianta
nada). Eu sei que uma hora ou outra vai acontecer mas eu não imaginava
ter de esperar justo a fala, que tanto me é importante. rsrsrs.
Alguma dica pra uma mãe conversadeira?

Mamãe Musa faz até ioga. Mas vibrar o ohn nesse caso não funciona.

(Post enviado por email, por isso a possível falta de configuração específica)

Palavras de uma mãe de bebê pélvico

Tenho andado bem ocupada. Matheus está lindo, maravilhoso, andando que é uma beleza. Essa semana foi crucial na aquisição de sua firmeza para andar e ele despontou. Já nos puxa pela mão e quer conquistar o mundo, o que toma bastante do meu tempo e merece todo destaque em post especial. Vocês percebem pela ausência de posts, e pela baixa atualização da minha página que há muito tempo evito fazer qualquer coisa quando ele está acordado tamanha a saudade que sinto no trabalho e procuro estar de corpo e alma interagindo nas brincadeiras dele. Aí vocês podem perguntar: E enquanto ele dorme? Não poderia passar um tempinho no blog? Então vou contar pra vocês. Tenho andado reflexiva há algum tempo. E por causa disso me recolhi para pensar, para me encontrar em questões que para mim antes não importavam. A verdade é que a Musa que existia antes do Matheus nascer já não existe mais. Existe uma Musa que depois de leituras de livros, relatos e de uma enxurrada de informação se sente um pouco indignada. Existe uma Musa que passou pela culpa por não ter se informado, mas depois se conformou por saber que a culpa não foi tão sua, mas da profissional em que confiou o nascimento do seu filho. E quando passou esse momento da culpa por não ter buscado informação, por ter sido levada a reproduzir o que frequentemente acontece num sistema em que médicos mentem que fazem parto normal, resolvi escrever minha experiência antes e depois de ser gestante de um bebê pélvico. Explico: tive endometriose antes do Matheus. Por saber que se tratava de uma doença que causa infertilidade, mesmo tendo retirado os focos (que graças a Deus não  comprometeram nenhum órgão) numa videolaparoscopia, pouco me importava o parto ou a forma de nascer. Importava pra mim se eu seria mãe. Eu tinha uma preocupação muito maior do que o momento do parto em si e não o idealizava. Eu sabia que tinha nascido para a maternidade, eu tinha paixão pela ideia de cuidar e educar outra pessoa para o bem. Por isso, morria de medo de ter expectativas frustradas e tudo o que eu queria era saber que podia ser mãe e ter o meu filho nos braços. Dessa forma, negligenciei todo tipo de informação externa que não as orientações dadas pela minha obstetra à época.

Na ultra morfológica foi a primeira vez que percebi que o Matheus estava sentado e ele permaneceu assim até nascer. Eu sabia por uma amiga muito próxima estudiosa de partos que eu poderia fazer manobras, exercícios e afins. Mas como peitar uma médica experiente que me sugeria que "esse tipo de coisa era arriscado"? Que me afirmava com veemência que era impossível o meu bebê ainda virar naquela altura do campeonato (consulta de 35 semanas), que se eu precisava ter uma cesárea que deveria ser logo, para eu não entrar em trabalho de parto e, para coroar o terror disfarçado de conselho, contou-me a tragédia que havia acontecido com um colega que tinha "perdido" a paciente no parto normal havia duas semanas (hoje vejo que essa história deve ser uma mentira contada a todas as pacientes por volta de 37 semanas). Em nenhum momento me foi dada a opção de esperar até 40 semanas para ver se o bebê virava e ficava cefálico. Hoje vejo que isto tudo fazia parte da conveniência dela, assim como a conveniência de mudar o hospital 2 semanas antes de ele nascer, porque o plano da outra paciente com parto no mesmo dia que eu não cobria o primeiro hospital. Não que isso me importasse mas preciso mostrar evidências de todo um planejamento que levava em conta a rotina dela e não a chegada do bebê. Quando ela me falou: "Ah, que bom assim, né, mesmo você querendo tentar o parto normal, o bebê já escolheu por você. Hoje a cesárea é tão segura,  rapidinha, muito melhor do que se você 'parasse' no parto normal, né, sentir dor, ficar com medo, demorar todo aquele tempo pra nascer..." E o pior: Eu, inocente e ignorantemente, repetia para as pessoas próximas: "ele escolheu, bom que não precisei escolher (em tom de brincadeira), então não vai poder ser parto normal..." Hoje sei que o tom de brincadeira era o mecanismo de defesa psicológica que eu estava usando para lidar com aquele fato. E a programação neurolinguística está aí pra mostrar que a minha obstetra que eu enxergava como confiável, a despeito de não ter feito uma violência física, porque entre as cesarianas, a minha foi muito bem sucedida, fez, sim, uma violência psicológica, me fazendo acreditar que quem estava escolhendo era o bebê, quando na verdade, quem escolheu o momento foi ela.

Entendam, de forma nenhuma condeno a cesariana em casos de bebê pélvico, em outras indicações reais ou quando a mãe escolhe e se sente mais segura assim. Mas citando meu caso, até os médicos humanizados concordam que a questão do pélvico é complicada e deve ser analisada com atenção. Só que hoje vejo que meu bebê estar pélvico foi a desculpa que minha obstetra precisava para me fazer acreditar muito antes das 40 semanas que "obviamente" meu único caminho seria a cesárea. Não posso ser hipócrita e dizer que tenho certeza de que escolheria um parto natural se meu bebê chegasse ao trabalho de parto sentado, afinal não existe consenso nem entre os ativistas e simpatizantes desse tipo de parto em caso de bebê pélvico. Mas eu queria ter sido incentivada a fazer exercícios e afins para tentar fazê-lo ficar cefálico. Eu queria ter certeza de que ele tivesse estado no meu ventre talvez até o tempo de virar, o que nunca saberei se aconteceria. Eu queria muitas coisas que não pude pelo terror psicológico relacionado à posição do meu neném causado pela médica que me acompanharia no parto. E já que isso eu queria e não pude, mas consciente do meu maternar, muita coisa hoje eu quero.

Não estou dizendo aqui que considero o momento do nascimento do Matheus traumático. Pelo menos pra mim não, muito pelo contrário. O momento do nascimento dele foi muito lindo e emocionante e reitero tudo que escrevi em meu relato exposto aqui o blog. Considero-me uma boa mãe para meu filho, uma criança linda, saudável e me sinto muito abençoada e agraciada por isso. Não me considero melhor ou pior do que nenhuma mãe. Só me considero hoje mais consciente e segura do que quero para mim. Quero ser a melhor mãe que o meu filho pode ter. Quero que seja obediente, mas questionador. Que busque informação porque informação é poder. Que vá com calma e não seja ansioso e passivo como sua mãe era à época da gestação, mas que sim, seja parecido com a mãe que ele tem hoje, com a mãe da forma que ele já conheceu e que surgiu no momento do seu nascimento: leoa, poderosa, consciente. Quero que ele seja tão feliz como me sinto em cada sorriso dele, em cada descoberta que ele faz, em cada momento que ele me dá os bracinhos pedindo colo. Agradeço por ele não fazer distinção entre a hora que ele nasceu ou poderia ter nascido, não me "cobrar" não ter vindo para o meu colo imediatamente na saída da barriga nem ter mamado na primeira hora de vida, pois retribui com carinho todo o meu cuidado desde que chegou aos meus braços definitivamente. Agradeço por me fazer sentir o seu amor em cada gesto, agradeço por ter me  escolhido, me tornado mãe e me deixado conhecer esse amor que cresce a cada dia. ♥

Esse texto é dedicado:
ao meu filho Matheus pelos motivos já citados no parágrafo acima; 
ao meu marido Rafael que sempre me deu apoio e liberdade de escolha em todos os aspectos desde a minha gestação; 
à minha mãe que cuidou de mim não só desde o nascimento como nos dias posteriores à cesárea  em que o corte ainda doía; 
a ela de novo e ao meu pai, por estarem sempre disponíveis para mim e a nova família que formei;
à minha amiga Fernanda por ter sido a primeira pessoa que me fez pensar sobre esse assunto e que segurou minha mão, no sentido literal e figurado, durante toda a gestação, no dia do nascimento e até hoje...

...e não menos importantes nesse processo, dedico essas palavras a amigas mais experientes nesse tema, que me ajudam constantemente seja por meio de relatos, respondendo dúvidas, ajudando-me com informações, numa conversa saudável, sem julgamentos e, principalmente, cercando-me de carinho afirmando a certeza de que, apesar de não ter questionado o momento do nascimento antes do meu filho nascer, sou para ele a melhor mãe que ele pode ter. Obrigada.

Mamãe Musa torce para que a frase "querer é poder" se materialize também na forma de nascer.

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