- Ã? / Oi? / Não entendi... (Pelas vendedoras de loja que querem ir à cabine atrás de mim e perguntam meu nome)
- Mas qual o seu nome verdadeiro? (Pelas pessoas em geral quando me são apresentadas)
- É nome ou apelido? (Por alguém depois que já se conformou com Musa, mas quer tirar a limpo)
- Aaaah, mas o nome condiz com a pessoa... (Pelos engraçadinhos de plantão me cantando)
- Por que vocês chamam ela de Musa? (Pelo marido de uma amiga e pela amiga de uma amiga - esses que me contaram, deve ter tido até mais casos)
- Tá Rafael, eu sei que ela é sua musa, mas qual o nome dela? (Pelos novos amigos do Rafael quando ainda não me conheceram)
- É com z ou com s? (Tóin!)
É, amiguinhas, eu poderia citar mais frases e mais frases desse tipo, porque chamar-se Musa é, no mínimo, curioso. Esse assunto surgiu em um dos meus grupos de amigas quinta passada e resolvi trazer para cá. Quantas vezes eu precisei mostrar a identidade porque não acreditaram! É sempre uma novidade quando entro em um curso, academia ou qualquer ambiente novo. Sempre tem de ter o comentário do nome... E quando eu atendo o telefone no trabalho e a pessoa não estava me procurando exatamente? Digo meu nome, sempre uma surpresa. Às vezes falam alguma coisa sobre, às vezes, não. Na night, eu mentia meu nome para qualquer um que não me interessava, só para depois ele não conseguir me achar facilmente ou mesmo para não estender o assunto no momento. Quando as pessoas não me conhecem e são apresentadas, invariavelmente, na primeira, na segunda, ou no máximo na terceira vez em que conversamos, vai surgir o assunto de nomes diferentes, ou exóticos, ou coisas assim, SEMPRE! Se me incomoda? Nem um pouco. A vida toda foi assim, né? Sou acostumada. Em contrapartida, pelo menos em um raio muito grande de distância sou só eu (nunca tive contato com uma xará, apesar de saber que existem). Isto quer dizer que quando chamam Musa em uma multidão onde eu estou, certamente serei eu, não vou olhar à toa. Às vezes estamos, por exemplo, na praia, chamam Rafael, e o meu até olha, mas na maioria das vezes não é ele. Essa é uma das vantagens, por exemplo: eu sou sempre identificada. Como diz minha amiga Mabel, é ótimo falar e não precisar contextualizar. Falo Musa e pronto, não preciso dizer de onde, prima de quem, do trabalho tal, da turma x da faculdade...
Quando fui batizada, o padre ranzinza reclamou: "Criança tem de ter nome de santo, ninguém mais coloca nome de santo em filho. Musa... existe Santa Musa?" Na infância, eu não gostava de ser Musa. Estudei 11 anos na mesma escola, havia várias pessoas de nomes repetidos e ninguém nunca tinha o meu nome. Hoje eu gosto muito, nem me imagino tendo outro nome. Também, depois de 29 anos, né? Já me apeguei. Aí vem a pergunta que eu imagino que, para vocês, não quer calar (me sentindo a adivinha): Mas por quê Musa?
Ao saber que eu era menina, meu pai selecionou 3 nomes para minha mãe escolher. Minha família toda é com M, e foi aí que meu pai elegeu Musa - Maitê - Maíra. Minha mãe escolheu Musa porque achou o mais bonito dos 3, ela diz que na época o título de musa não era tããão badalado como agora. Quando uma moça era bonita em um concurso, normalmente era, sei lá, rainha da primavera, por exemplo, e não musa. Mas digamos que minha mãe não é a principal "culpada", já que meu pai selecionou primeiro. Quando eu pergunto o porquê do nome, ele diz que não tem porquê, que para ele é um nome como outro qualquer. Aí eu fico sem argumento, né? Como vou argumentar ou dizer qualquer coisa para uma figurinha que acha Musa um nome como outro qualquer? Também, para alguém chamado Marciano, acho que Musa é mesmo um nome comum. Não, você não entendeu errado. Sou filha Musa de um pai Marciano. E o detalhe é que para ele, Marciano também é comum, ainda mais que ele se chama Marciano por causa do avô, ou seja, para ele toda vida foi sonoro, ouvia isso na família direto (esse é bem aquele caso de que um raio pode, sim, cair duas vezes no mesmo lugar, ops, na mesma família)... Sr. Marciano explica que do mesmo jeito que existe Lúcio - Luciano, Fábio - Fabiano, Maria - Mariana e afins, existiria Márcio - Marciano, isto é, o nome dele é derivado de Márcio. Tá, pai, seu raciocínio lógico estaria correto e você estaria coberto de razão, se não fosse dado esse mesmo nome aos supostos alienígenas habitantes do planeta Marte, fato que faz com que Marciano seja derivado de Marte e não de Márcio.
Acho que no nosso caso, meu e do meu irmão, ele quis usar a teoria do livro "O Segredo", da força do pensamento ou do poder das palavras, sei lá. Eu costumo dizer que pode existir alguém que goste de futebol igual ao meu pai, mas mais que ele não. Ele sabe tudo, todos os placares, toda a história e afins. No nome do meu irmão, o futebol não ficou de fora. É Maurílio por conta de um antigo jogador de futebol (acho que do Goiás), mas, voltando à teoria do poder das palavras, não deu certo, porque meu irmão está longe de ser um craque da bola. Se ele se chamasse Steven Spielberg, não gostaria tanto de cinema, essa sim é a grande paixão do caçula. Bem, papai tentou. E esse é mais um dos motivos pelos quais eu amo meus pais. Porque, mesmo não sendo "essa Coca Cola toda" (tá, uma daquela latinha nova "mini na medida", talvez?), eu sou Musa e amo meu nome. Claaaaro que para mim isso é natural, como se eu tivesse um nome comum, sei lá, Mariana, como minha mãe. Não me acho nem um pouco mais por isso. Aliás, já diria François de La Rochefoucauld, "Os grandes nomes, em vez de elevar, rebaixam aqueles que não os sabem usar." Para mim, pelo fato de ter sido escolhido pelos meus pais e no batismo eu ter recebido esse nome, ele é grandioso. Mas é grandioso por esse motivo, e não pelo que ele significa. Tudo bem que já posso me ver senhorinha falando meu nome pra um adolescente e ele colocando a mão na boca para não rir daquela velhinha coroca que se chama Musa. Vai até cuspir a água que estiver bebendo. Xiiii, não posso nem pensar, vai ser uma ironia só. Mas não soframos por antecipação, né? Deixa eu curtir ser Musa na flor da idade enquanto eu posso. :)
E você, também tem uma história com seu nome? Manda para eu postar aqui. ;)
"Você culpa seus pais por tudo. Isso é absurdo. São crianças como você: o que você vai ser quando você crescer." (Legião Urbana)
Dona Musa avisa que já melhorou da sinusite (com os antibióticos) e agradece a preocupação das leitoras queridas.